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Procura por aparelhos dentários falsos é a grande entre os jovens

Basta andar pelas ruas de Salvador, que não é muito difícil perceber o grande número de comércio informal pela cidade. A procura por aparelhos dentários são o que tem sido bastante adquirido pelos jovens, a fim de transformar esteticamente o sorriso bonito com elásticos coloridos e trançados, porém de fácil acesso.

Segundo a presidente do Fiscalização do Conselho Regional de Odontologia da Bahia, Viviane Sarmento, não se sabe exatamente onde se originou a venda dos acessórios ortodônticos vendidos em camelôs. “Temos relatos de que isso acontece em alguns Municípios da Bahia, como: Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e também em outros estados do Brasil, o que é extremamente grave e prejudicial a nossa saúde.”

O quanto o produto tem sido comercializado e porque, Viviane ressalta “A comercialização de produtos odontológicos só pode acontecer para os profissionais de odontologia, então, as lojas que vendem tais produtos, precisam exigir dos compradores, um documento que comprove que aquela pessoa é um profissional cirurgião dentista”.

Perguntamos o porquê essas pessoas mesmo com essas restrições exigidas têm acesso a esses acessórios. “Não temos certeza de como esses ilícitos conseguem tal material. Pelas lojas isso não seria possível, claro, que podem existir irregularidades em vários locais, mas o certo é que a venda só poderiam acontecer para cirurgiões dentistas.” Afirmou.

O preço dos aparelhos ortodônticos no camelô é um atrativo para quem quer seguir a tendência. Clientes de camelôs, dizem que a grande procura por aparelhos é em virtude do valor alto cobrado pelos dentistas. “O valor do procedimento odontológico cobrado pelos cirurgiões dentistas não pode, de forma alguma, justificar que esse serviço seja oferecido por pessoas que não são cirurgião dentistas. E o preço cobrado por esses profissionais, reflete a complexidade do tratamento. Se o cirurgião dentista cobra um determinado valor pelo tratamento que ele executa, significa que houve todo um investimento de tempo, de profissão e de estudo para que aquilo pudesse acontecer. Quando a gente vê pessoas não cirurgião dentistas realizando esse procedimento, além de ser um crime é um prejuízo enorme para essa pessoa que recebe esse aparelho ortodôntico. Imagine que isso é realizado na rua, nos corredores das suas casas, sem qualquer proteção de biossegurança, sem luvas, e nós sabemos o quanto a saliva, o sangue são fontes potencias de contaminação. Então de forma alguma as dificuldades, os valores que possam ser cobrados pelos cirurgiões dentistas pode justificar a colocação de aparelhos por pessoas que não são habilitadas”. Diz Sarmento.

Fiscalização:

O Conselho Regional de Odontologia da Bahia conta com uma comissão de fiscalização. A quantidade de profissionais que fiscaliza e coíbe a comercialização dos produtos ortodônticos vendidos no comércio informal conta com uma presidente, um coordenador de fiscalização e quatro fiscais. Uma realidade absurda comparada à dimensão do território Baiano. A presidente da comissão Viviane, pontua. “Apesar de termos um número pequeno de pessoas envolvidas, nós temos como função principal, fiscalizar o exercício profissional e tentar coibir a prática desses exercícios por aqueles que não são cirurgiões dentistas”. 

Nos últimos trinta meses a Fiscalização do Conselho Regional de Odontologia da Bahia em ações conjuntas com a Polícia Militar e Vigilância Sanitária, conseguiu apreender 67 pessoas que trabalhavam ilegalmente na odontologia. “Existiam profissionais que narraram trabalhar por mais de trinta anos, na odontologia sem qualquer formação. Isso é extremamente grave e não podemos permitir que isso aconteça.” Esclareceu a presidente da Comissão do Conselho Regional de Odontologia da Bahia.

Perguntamos se o conselho já pensou de que forma coibir a comercialização desses produtos. “Para coibir tal prática nós temos que trabalhar em duas frentes principais primeiro é tentar parcerias com aquelas entidades que efetivamente têm o poder de prisão. Enquanto a isso, fizemos uma audiência pública em setembro, de 2015, com o ministério público, com a presença da Secretaria de Saúde do Estado da Baia (SESAB), com a Polícia Militar, Vigilância Sanitária, Secretaria Municipal da Saúde onde esse tema foi debatido e trouxe frutos. E no segundo lado a gente tenta trabalhar com a divulgação para a comunidade, para a população dos riscos de fazer um tratamento odontológico por quem não é cirurgião dentista”.

A venda de aparelhos dentários falsos virou moda perigosa entre os adolescentes. Nas ruas do centro de Salvador e também nas redes sociais. Os dentistas alertam que a soma dessas peças colocadas e unidas por um elástico ou fio, provoca uma movimentação nos dentes. Josenita Nascimento, especialista em Ortodontia, chama a atenção de como é feita a colocação desses aparelhos falsos. “Os aparelhos falsos são colocados com super bonder, imagina só que drástico super bonder se ele prejudica seu dedo, sua unha imagina o que ele faz com o esmalte dos dentes prejudicando a periodonto, é a sustentação daquele dente, então dali vêm gengivites, periodontites, doenças degenerativas do osso que leva a perda do dente. E cada vez mais isso está acontecendo. E os elásticos trançados sabe o que acontece, leva um a força sobre o dente. Sabe aquela dor que somos submetidos quando fazemos um tratamento ortodôntico, aquilo ali e feito de uma forma controlada, de uma forma prevista. Já os elásticos que são vendidos por aí, não. Eles são colocados sobre os dentes sem qualquer controle e o que acontece, aquele dente se movimenta de uma forma errada, gera um trauma oclusal, uma interferência causando dor de cabeça e não é só nos dentes, não, dor na coluna, tudo isso por decorrência de força colocada através de elásticos inadvertidamente”.

Pra denunciar a comercialização dos adereços falsos ou qualquer exercício irregular por parte de pessoas não capacitadas para a realização da colocação desses aparelhos, não precisa se identificar.  A denuncia pode ser feita através do e-mail: fiscalização@croba.org.br

A presidente, “Todas as denuncias são apuradas. Tentamos agir em prol da valorização da nossa profissão, a odontologia”.

 

Jorge Farias